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A UMA TAÇA FEITA DE UM CRÂNIO HUMANO |
Traduzido de Byron "Não recues! De mim não foi-se o espírito... Em mim verás — pobre caveira fria — Único crânio, que ao invés dos vivos, Só derrama alegria. Vivi! amei! bebi qual tu: Na morte Arrancaram da terra os ossos meus. Não me insultes! empina-se!... que a larva Tem beijos mais sombrios do que os teus. Mas val guardar o sumo da parreira Do que ao verme do chão ser pasto vil; — Taça — levar dos deuses a bebida, Que o pasto do reptil. Que este vaso, onde o espírito brilhava, Vá nos outros o espírito acender. Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro ... Podeis de vinho o encher! Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra raça, Quando tu e os teus fordes nos fossos, Pode do abraço te livrar da terra, E ébria folgando profanar teus ossos. E por que não? Se no correr da vida Tanto mal, tanta dor aí repousa? É bom fugindo à podridão do lodo Servir na morte enfim pra alguma coisa!... Bahia, 15 de dezembro de 1869 |
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