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MURMÚRIOS DA TARDE |
Écoute! tout se tait; songe à ta bien aimée, Ce soir, sous les tilleuls, à la sombre ramée, Le rayon du couchant laisse un adieu plus doux; Ce soir, tout va fleurir: l’immortelle nature Se remplit de parfums, d’amour et de murmure, Comme le lit joyeux de deux jeunes époux. Alfred de Musset Rosa! Rosa de amor purpúrea e bela. Garrett Ontem à tarde, quando o sol morria, A natureza era um poema santo. De cada moita a escuridão saía, De cada gruta rebentava um canto, Ontem à tarde, quando o sol morria. Do céu azul na profundeza escura Brilhava a estrela, como um fruto louro, E qual a foice, que no chão fulgura, Mostrava a lua o semicírc’lo d’ouro, Do céu azul na profundeza escura. Larga harmonia embalsamava os ares! Cantava o ninho — suspirava o lago... E a verde pluma dos sutis palmares Tinha das ondas o murmúrio vago... Larga harmonia embalsamava os ares. Era dos seres a harmonia imensa Vago concerto de saudade infinda! "Sol — não me deixes" diz a vaga extensa. "Aura — não fujas" diz a flor mais linda; Era dos seres a harmonia imensa! "Leva-me! leva-me em teu seio amigo" Dizia às nuvens o choroso orvalho, "Rola que foges" diz o ninho antigo, "Leva-me ainda para um novo galho... "Leva-me! leva-me em teu seio amigo." "Dá-me inda um beijo, antes que a noite venha!" "Inda um calor, antes que chegue o frio..." E mais o musgo se conchega à penha E mais à penha se conchega o rio... "Dá-me inda um beijo, antes que a noite venha!" E tu no entanto no jardim vagavas, Rosa de amor, celestial Maria... Ai! como esquiva sobre o chão pisavas, Ai! como alegre a tua boca ria... E tu no entanto no jardim vagavas. Eras a estrela transformada em virgem! Eras um anjo, que se fez menina! Tinhas das aves a celeste origem. Tinhas da lua a palidez divina, Eras a estrela transformada em virgem! Flor! Tu chegaste de outra flor mais perto. Que bela rosa! que fragrância meiga! Dir-se-ia um riso no jardim aberto, Dir-se-ia um beijo, que nasceu na veiga... Flor! Tu chegaste de outra flor mais perto!... E eu, que escutava o conversar das flores, Ouvi, que a rosa murmurava ardente: "Colhe-me, ó virgem, — não terei mais dores, "Guarda-me, ó bela, no teu seio quente..." E eu escutava o conversar das flores. "Leva-me! leva-me, ó gentil Maria!" Também então eu murmurei cismando... "Minh’alma é rosa, que a geada esfria... "Dá-lhe em teus seios um asilo brando... "Leva-me! leva-me, ó gentil Maria!..." Rio de Janeiro, 12 de outubro de 1869 |
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